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A história da Honda - vencer nas pistas para ganhar no mercado

Atualizado: Jul 31


A Honda conta sua história em 4 capítulos. Aqui, no primeiro, o esforço da marca nas pistas de corrida e o retorno disso na engenharia e no marketing


Fã do esporte a motor, Soichiro Honda, fundador da Honda, foi piloto de competição na juventude. Sempre teve a certeza de que corridas não serviam apenas para ganhar troféus e fama, mas sim angariar conhecimento por meio do uso extremo, de extrapolar limites e ir além das necessidades do usuário comum.

Com esse posicionamento, a Honda Motor Company, fundada em 1948, rapidamente colocou-se acima da concorrência de sua época, desenvolvendo motocicletas avançadas e atingindo em curto prazo a produção de 1.000 unidades por mês. A impressionante escalada da empresa em seus primeiros anos resultou na exportação para vários países, o que tornou a tecnologia da Honda conhecida e admirada mundo afora.

Pouco mais de uma década bastou para a Honda alcançar a capacidade de produção anual de mais de um milhão de unidades. No início dos anos 1960, a empresa já era a maior fabricante mundial de motocicletas, o que certamente se deveu à participação em competições.



A estreia internacional, em São Paulo

A primeira corrida de uma motocicleta Honda fora do Japão foi no Brasil: o Grande Prêmio 4º Centenário, disputado em 1954 na cidade de São Paulo. A experiência, embora frustrante do ponto de vista do resultado, estimulou a empresa de pouco mais de cinco anos de existência a aprimorar tecnologias. O resultado desse empenho surgiu logo em 1959, ao estrear no Campeonato Mundial de Velocidade, na etapa inicial da temporada, o célebre Tourist Trophy na Ilha de Man, na Grã-Bretanha.

A categoria escolhida foi a 125cc. As Honda RC141 e RC142, ambas dotadas de motores bicilíndricos, tinham como diferença técnica principal o cabeçote de duas válvulas por cilindro na RC141 e de quatro válvulas por cilindro na RC142. À época, o Mundial era dominado por marcas europeias, e ninguém percebeu que aquela delegação japonesa representava a ponta de um poderoso iceberg, destinado a subverter a ordem vigente.

Com as pioneiras RC141/142 a Honda estudou o ambiente e mediu forças. O sexto lugar entre os 18 competidores que cruzaram a linha de chegada foi um bom começo. No ano seguinte, 1960, veio a primeira temporada completa no Mundial, e os primeiros pódios.

Em 1961, surgiram muitas vitórias e a conquista dos títulos mundiais nas categorias 125 e 250cc. Ao final da temporada de 1967, a Honda decidiu suspender provisoriamente sua participação no Mundial de Motovelocidade, tendo vencido 138 Grande Prêmios e 34 títulos mundiais entre Pilotos e Construtores, em quatro categorias distintas: 50, 125, 250, 350 e 500cc. O mundo da moto conhecera, neste período, uma tecnologia superior, feita de motores multicilíndricos, cuja qualidade se refletia na produção.

As RC 141 e RC149 (125cc); RC160 e RC166 (250cc);, RC170 e RC173 (350cc); e RC181 (500cc) serviram como embriões do motor que assombraria o mercado mundial à partir de 1968, equipando a lendária Honda CB 750 Four, motocicleta que condensava o conhecimento adquirido desafiando – e vencendo – as marcas mais tradicionais da indústria motociclística daquele tempo.


Honda CB 750 Four, a primeira Superbike

No Salão de Tóquio de 1968, a Honda apresentou a CB 750 Four, a primeira moto de produção em massa equipada com um motor de quatro cilindros em linha e dotada de características técnicas muito especiais, como o virabrequim de peça única, o sistema de lubrificação por cárter seco e o freio a disco dianteiro. Seu motor SOHC de 8 válvulas de exatos 733 cc, com potência máxima de 68 cv a 8.500 rpm, levava a CB 750 Four a superar a velocidade máxima de 200 km/h.

Com a CB 750 a Honda impressionou não apenas pela sofisticação técnica e performance, mas também pela qualidade construtiva e nível de confiabilidade superior.

A partir da CB 750 Four, o motor de quatro cilindros em linha se tornaria uma espécie de marca registrada da Honda. Diferentes motocicletas da marca apresentadas ao longo da década de 1970 usaram esta arquitetura: CB 500, CB 550, CB 350 e CB 400 orgulhosamente adotavam o prestigioso sufixo "Four", culminando com a CB 900F de 1979, que com seu motor de quatro cilindros DOHC de 901cc atingia 95 cv de potência máxima, uma jóia mecânica desta estirpe de motores refrigerada a ar.

A configuração "quatro cilindros em linha" integra a produção Honda desde sempre. Há mais de cinquenta anos, modelos de 350 a 1.300cc são oferecidos aos clientes da marca, sempre começando com as iniciais "CB". Da pioneira CB 750 Four de 1968 à recente Honda CBR 1000RR R SP Fireblade, o salto de potência foi impressionante: de 68 cv para 214 cv de potência máxima.


O sucesso do motor de quatro cilindros em linha não impediu a Honda de desenvolver arquiteturas de motor diversificadas ao longo de sua história. Em 1974 surgiu a Honda Gold Wing GL 1000, com motor de quatro cilindros contrapostos. Três anos depois, em 1977, veio a CBX 1000, cujo motor de seis cilindros em linha foi inspirado diretamente no motor das RC166 de 250cc e RC174 de 350cc, com as quais Mike Hailwood e Jim Redman conquistaram 6 títulos mundiais nos anos 1960.


Uma gama variada de motores

Os modelos vitoriosos nos GPs dos anos 1960 contrubuíram com conhecimento que foi aplicado em uma ampla e diversificada gama de produtos, em diferentes plataformas e especificações: motores de um, dois, três, quatro, cinco ou seis cilindros, com arquitetura em linha, de cilindros contrapostos e em V, tanto longitudinais como transversais. Nenhum outro fabricante desenvolveu uma variedade de motores tão grande.

A Honda foi a primeira marca a lançar uma motocicleta turbo, a CX 500 Turbo, com motor V2 a 80º SOHC transversal. Apresentada em 1981, a CX 500 alcançou a potência máxima de 60 cv a 8.000 rpm, rivalizando na aceleração com muitas motos de 1.000 cc daquela época. Em 1983, a Honda renovou o modelo através de um motor aperfeiçoado e maior, a CX 650 Turbo, que atingia 64 cv.

Outro avanço tecnológico veio em 1982, quando a Honda lançou sua primeira moto de série com motor V4, uma arquitetura que se demonstraria importante para a Honda, tanto no aspecto esportivo como no relacionado aos produtos de venda ao público.

Os motores Honda V4 serão tema do 2º capítulo desta série, divulgada pela marca.

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