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Royal Enfield começa a montar no Brasil

Preços das motos não mudam, mas aumenta a confiança na marca



A montadora indiana Royal Enfield começa a montar as motocicletas da marca inglesa em Manaus a partir deste mês de dezembro. O sistema é CKD, Complete Knocked Down, em que as motos chegam da Índia em caixas, totalmente desmontadas. O índice de nacionalização é mínimo e deve começar por componentes como pneus e baterias, mas os requisitos do Pólo Industrial de Manaus, onde está localizada a operação, são baseados em processos produtivos – para intensificar a utilização de mão-de-obra local – e o processo de montagem completa os atende.



A operação de montagem será realizada inicialmente pela Dafra, braço industrial do Grupo Itavema, um dos maiores revendedores automotivos do país. A montagem da marca anglo-indiana mobiliza cerca de 250 funcionários, todos vinculados à Dafra e é o resultado de investimentos de cerca de 1,2 milhão de dólares da empresa indiana, em ferramental, maquinários e instalações, segundo B. Govindarajan, CEO da Royal Enfield. Sua capacidade instalada é de 15 mil unidades anuais e o modelo escolhido para dar início à operação foi a Royal Enfield Interceptor 650 (e sua irmã Continental GT 650). Motocicletas de maior cilindrada têm, pelas normas que regem o Pólo Industrial de Manaus, mais facilidade em atender aos requisitos que habilitam a marca a usufruir das benesses fiscais oferecidas às empresas que ali se instalam.

A Dafra também presta serviços de montagem em linha de produção industrial para as marcas Ducati (italiana, vinculada ao Grupo VW/Audi), KTM (austríaca) e para a também indiana Bajaj, que anuncia nos próximos dias o início da comercialização de seus modelos no país. Além disso, monta com marca própria para a sua rede de concessionárias, modelos da indiana TVS e da Sym, chinesa de Taiwan.

A linha de montagem da Royal Enfield inaugurada em Manaus na primeira semana de dezembro é a 4ª no mundo, depois de Tailândia, Colômbia e desde 2020 em Buenos Aires, na Argentina, além das plantas industriais que possui na Índia. A marca, de origem inglesa, é parte do gigante Grupo Eicher, que também produz caminhões e ônibus em joint-venture com a sueca Volvo.



A marca tem sido cautelosa em seu ingresso no mercado brasileiro, depois de algumas tentativas mal sucedidas no passado. O Brasil já é o segundo mercado em vendas para a marca, e o primeiro fora da Índia – e vem crescendo rapidamente. “Nossas vendas cresceram mais de 100% no Brasil em 2019”, disse Govindarajan.

Cláudio Giusti, CEO da marca no país, já nomeou 21 concessionários pelo país e espera chegar a 25 ainda no primeiro semestre do ano que vem. O executivo adverte entretanto que a parceria com a Dafra é temporária, pois está nos planos da Royal Enfield ter a sua própria planta produtiva em Manaus em futuro próximo, que Giusti não quer antecipar com exatidão, afirmando que a instalação própria chega “em médio prazo”.

A Royal Enfield é líder mundial – em grande parte graças ao vertiginoso crescimento do mercado indiano – de motocicletas médias (entre 350 e 650 cm3 de cilindrada), e aposta em um estilo de motociclismo e de pilotagem que chama de “moto purismo”. Assim, suas motos não são dotadas de tecnologias eletrônicas de ponta, como luzes em LED e computadores de bordo, mas oferecem uma ajustada relação custo x benefício.

A linha da Royal Enfield no Brasil é composta pelas duas bicilíndricas de 650 cm3, Interceptor e Continental GT, de visual clássico, apelo retrô; pela Meteor 350, uma pequena custom, e pela recém-lançada Classic 350, que lembra um modelo dos anos 1960. Também inclui a Himalayan, um modelo de uso misto com motor de 411 cm3 e apelo aventureiro, com possibilidades de incursões fora de estrada. A próxima motocicleta da marca a chegar ao mercado brasileiro deve ser a Scram 411, versão da Himalayan com menos vocação para a terra e mais adequada para uso preferencial no asfalto.


Os modelos de 350 cc integram o projeto J da marca anglo-indiana, que prevê o lançamento de uma série de versões a partir do mesmo motor monocilíndrico, de projeto moderno. Dessa série, a próxima a chegar ao Brasil é a Hunter 350, modelo de entrada na marca, que é esperada por ter preço extremamente competitivo em mercados externos. Deve chegar ao Brasil por cerca de R$ 20 mil.

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