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Sem medo de injeção

Atualizado: Mai 21

Por: Guilherme Silveira


Presente em quase todas as motos produzidas hoje, a injeção eletrônica de combustível substituiu o carburador na tarefa de alimentar o motor, com vantagens notáveis. Maior economia de combustível, menor emissão de poluentes, funcionamento mais linear do motor e até mesmo maior segurança, quando conjugada a sistemas de controle de tração e de potência.

Porém, mesmo os sistemas mais modernos não estão isentos de problemas. Sem tomar alguns cuidados, podem surgir situações desagradáveis. O comerciante Nilton Camargo, dono de uma Yamaha Super Ténéré 1200, teve que descarbonizar o sistema de admissão da sua big trail.

O mecânico Alex Bongiovanni recorda que, durante uma revisão geral, foi detectado excesso de depósitos de carvão (carbonização) na moto de Camargo. “O próximo passo foi a retirada das peças para limpeza com detergente específico”. Segundo Alex, a carbonização ocorreu em uma moto usada geralmente para viajar, condição na qual se forma menos carvão do que em passeios curtos. De todo modo, não é um sintoma tão raro, diante da profusão de gasolina de baixa qualidade encontrada Brasil afora.

Diante dessa situação, assim como em qualquer sistema de alimentação, também nos sistemas de injeção há cuidados preventivos que devem ser tomados.

Confira as dicas abaixo para saber os cuidados necessários para que sua moto esteja sempre pronta para rodar na cidade, ou encarar longas viagens. “a gasolina ruim ataca os injetores, borrachas de vedação e compromete a precisão de atuação dos sensores da injeção”.



COMBUSTÍVEL ADEQUADO

Se a moto for ficar parada, seja ela pequena ou grande, o ideal é utilizar combustível do tipo Premium. Além da octanagem maior –necessária para a maioria dos motores esportivos com taxas de compressão elevadas–, essa gasolina costuma ter aditivação mais nobre, que lhe outorga um processo de oxidação mais lento que o da gasolina comum.

Porém, é fato que nem sempre é possível seguir à risca a recomendação de fábrica: se para uma moto touring a gasolina indicada é a Premium, use-a sempre que possível. Só que, no caso de viagens mais longas, nem sempre será possível encontrar essa gasolina mais cara. Daí, segundo Bongiovanni, utiliza-se a gasolina comum e, ao retornar, dependendo da quilometragem e terreno percorrido, é recomendável realizar uma revisão na motocicleta. Com a devida atenção ao sistema de alimentação, checando possíveis depósitos de carbonização, para, em seguida, retomar o abastecimento com gasolina Premium.

PREPARAÇÃO

Em motos de maior cilindrada, qual seja a preparação –como uso de escapamento ou fi ltro de ar esportivo– o ideal será modificar o ajuste da injeção eletrônica. Isso porque com as mudanças, o sistema de alimentação pode ter que enviar mais gasolina, além de sua programação original.

Daí, existem duas opções: há casos em que os módulos de injeção aceitam algumas alterações; e existem os chamados módulos “fechados”, que não permitem nenhuma modificação. Neste último caso, é necessária a instalação de um emulador (Power Commander, Rapid Bike...) para po der efetuar os devidos ajustes. Claro, sempre sob a tutela de profissionais especializados: se o serviço for mal feito, pode causar perda de rendimento e até mesmo danificar o motor.

MANUTENÇÃO PREVENTIVA

Alex recomenda manter em dia componentes como velas de ignição e filtro de ar, que trabalham em conjunto com a injeção e permitem a correta combustão da mistura ar/combustível. “Adiar a troca do elemento filtrante, por mais que pareça limpo, resulta em menor admissão de ar e queda no desempenho. Também aumenta o consumo, pois a tendência é acelerar mais para compensar a perda de performance. Velas com eletrodos gastos prejudicam a combustão e acarretam o mesmo sintoma”, completa o especialista.

NÃO VÁ LONGE NA RESERVA

Motos com injeção eletrônica usam bomba elétrica de combustível. Embora haja raros casos de bombas externas, na imensa maioria das vezes ela trabalha imersa no tanque. Esse componente é resfriado pelo próprio combustível, e rodar por muitos quilômetros na reserva pode fazer a bomba trabalhar “seca”, o que prejudica o resfriamento e diminui sua vida útil. Manter o nível do tanque baixo também pode elevar a temperatura do combustível e, por consequência, ele tende a evaporar mais rápido.

Procure abastecer em postos conhecidos, especialmente antes de pegar a estrada: não são raras as (más) surpresas ao abastecer a preços promocionais em postos duvidosos.

LIMPEZA DE INJETORES

Embora algumas montadoras não recomendem a limpeza dos injetores em máquinas específicas (aparelhos de ultrassom), há casos e casos. Bongiovanni relata que a necessidade de substituição dos bicos é algo bastante raro, necessária apenas em casos extremos.

A limpeza dos injetores obstruídos deve ser feita com os componentes fora do motor, usando produtos específicos, para depois receberem novos anéis de vedação e uma espécie

de tela contra resíduos.

Feito o procedimento, os injetores têm sua vazão aferida num aparelho de ultrassom, para então serem reinstalados.

Mais raramente, pode ocorrer a carbonização do corpo de injeção, que também deve ser retirado para limpeza. Motos menores costumam ter um filtro na linha de combustível, o qual deve ser trocado a cada média de 15 mil km. Se sua troca for ignorada, pode obstruir a pressão da linha e fazer o motor sofrer perda de rendimento.

BATERIA

Ao contrário das motos carburadas, as injetadas exigem sempre uma bateria saudável. Se estiver com pouca carga, não conseguirá alimentar a bomba elétrica e o sistema de iluminação, por exemplo. Daí basta frear para parar num semáforo para o motor morrer. A solução é checar o sistema elétrico e, se for realmente preciso, substituir a bateria em breve. Do contrário, existe grande risco de parar na rua.

ESTRADA

Em casos de motos que rodam pouco, o recomendável para evitar carbonização extrema dentro do motor é uma bela e longa estrada de vez em quando.

Ao viajar, o ideal é alternar marchas altas com marchas mais baixas (menor e maior rotação), mesmo mantendo a velocidade de cruzeiro desejada. “Via de regra, o próprio motor efetua uma limpeza interna quando existe uma carbonização leve”, completa o mecânico.

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