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Socorro sedia museu dedicado à história das motocicletas e bicicletas

Instalado na Antiga Estação Ferroviária da cidade, o 'Centro Cultural Movimento' reconta os 120 anos de história do setor de duas rodas no país.


Centro Cultural Movimento CCM em Socorro/SP
Centro Cultural Movimento (CCM) abre para o público na próxima sexta-feira (12)

Centro Cultural Movimento (CCM) abre para o público na próxima sexta-feira (12), a partir das 10h. Socorro acaba de dar mais um passo importante para se tornar um centro histórico, turístico e cultural voltado ao segmento de duas rodas no interior do estado de São Paulo. Localizada a cerca de 150 quilômetros da capital paulista, a cidade passa a abrigar o ‘Centro Cultural Movimento’, um museu com acervo repleto de peças que resgatam a história da motocicleta e da bicicleta no Brasil. Sediado na Antiga Estação Ferroviária, os visitantes poderão conferir de perto – em exposições permanentes e temporárias – inúmeros modelos de motos e bikes lançadas no país ao longo dos últimos 120 anos.

Além dos veículos, a maioria cedida por colecionadores e apoiadores do projeto, o museu apresenta também uma infinidade de objetos, como fotografias antigas e documentos originais, entre eles pedidos de patentes, propagandas e anúncios em classificados. O acervo inclui ainda um espaço dedicado à história das competições motociclísticas e ciclísticas no país. Lá os visitantes podem acessar uma ala inteira com troféus, rever reportagens históricas, além de conhecer as roupas e os equipamentos de pilotagem utilizados ao longo de mais de um século. Aberto ao público de quarta a domingo, os ingressos custam R$ 20,00 (vinte reais) e podem ser adquiridos na bilheteria do museu ou antecipadamente através do site oficial.

Centro Cultural Movimento em Socorro
O CCM ocupa as instalações da Antiga Estação Ferroviária de Socorro/SP

O ‘Centro Cultural Movimento’ ocupa todas as instalações da Antiga Estação Ferroviária da cidade, que passou por uma profunda reforma para receber o museu. Com estilo ferroviário inglês, o prédio histórico, que data de 1909, foi construído pela Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e inaugurado pelo então presidente [governador nos tempos atuais] do Estado de São Paulo Manuel Joaquim de Albuquerque Lins. Na reforma, as estruturas originais do prédio foram mantidas, incluindo as grossas paredes de alvenaria e o antigo madeiramento do telhado.

Antonio Jorge Neto - o "Netinho" - Campeão Daytona em 1983
Netinho - Campeão Daytona em 1983

Na entrada do museu, após cruzar o pórtico principal, os visitantes têm acesso à recepção e ao guarda-volumes. Logo nos primeiros passos, já chama a atenção a deslumbrante ‘Sala de Troféus’, que abriga inúmeras conquistas dos principais nomes do motociclismo nacional. Alguns dos títulos mais notáveis que podem ser vistos são, o Trofeo Real Consul D’Itália, conquistado por Luiz Bezzi em 1937, o troféu do Recorde de Interlagos para Motonetas, conquistado por Gualtiero Tognocchi em 1960 e o troféu das ‘100 Milhas de Daytona’, de 1983, conquistado pelo piloto Antônio Jorge Neto, ou ‘Netinho’ como é conhecido no esporte a motor, no comando de uma Yamaha TZ 250.

Outro espaço que merece destaque é o ‘Hall da Fama’. O local faz homenagem aos personagens que ajudaram a construir a história da moto e da bicicleta no Brasil. Lá o visitante poderá ver uma série de murais com uma lista de nomes e retratos, e conhecer algumas das pessoas mais notáveis do setor de duas rodas, como pilotos, engenheiros, mecânicos, inventores e demais personalidades de diferentes segmentos, como esporte, indústria e comércio, imprensa, entre outros, que fomentaram o desenvolvimento do setor ao longo de mais de um século.

Porém, a cereja do bolo é o ‘Salão Nobre’. O local – um espaço multiuso – abriga as exposições permanentes e temporárias do museu com as motos e bicicletas que marcaram a história do setor no país. O centro do salão é dedicado às exposições transitórias. Já nas laterais, o visitante pode acompanhar o desenvolvimento cronológico da nossa história em uma linha do tempo formada por documentos que retratam estes 120 anos. São dezenas de motos e bikes expostas, de diversos tipos e marcas. Os amantes do motociclismo logo perceberão modelos clássicos, alguns fabricados no final século XIX e início do século XX, como o das marcas Zundapp, Matchless, Honda, Yamaha, BMW, Lambretta, Saçi, a réplica da Mobilette de Alex Barros em sua estreia na velocidade aos 7 anos, ou a PUCH campeã paulista de ciclomotores de 1978 com José Escalona. São exemplos de histórias que contribuíram para o desenvolvimento do setor no Brasil e no mundo.

Outros dois modelos em especial, expostos no museu, tiveram papeis significativos e influenciaram a geopolítica mundial, cada um defendendo um lado. Os visitantes poderão conferir a Triumph Type H, de 1915, também conhecida por Trusty. A moto foi utilizada na Primeira Guerra (1914-1918) pelas tropas de comunicação britânicas para levar informações ao fronte. Já a BMW R35, de 1938 – duas décadas distante na linha do tempo – foi designada pelo Führer para os deslocamentos do Exército Alemão na Segunda Grande Guerra (1939-1945). Além destas, é possível conferir algumas raridades que fizeram história no país, incluindo modelos da Honda, Yamaha, Norton, Vespa, entre tantas outras.

Carlãozinho Coachman ao lado de Sequeira - Campeão Brasileiro de Motovelocidade em 1980
Carlãozinho Coachman ao lado de Sequeira - Campeão Brasileiro de Motovelocidade em 1980

Após percorrer toda essa caminhada histórica revivendo décadas do mundo de duas rodas, o visitante ainda tem a loja de souvenires e um pit stop para um lanche no Bar e Café CCM. Inaugurado agora em novembro, o ‘Centro Cultural Movimento’ é resultado de uma parceria público-privada (PPP) que integra o programa ‘Socorro Destino Duas Rodas’, projeto lançado ainda em 2019 com intuito de promover o mototurismo e o biketurismo na cidade. Com curadoria do jornalista Carlãozinho Coachman, idealizador do projeto Motostory – portal eletrônico que resgata a história da moto no Brasil –, grande parte do acervo foi apresentada na exposição ‘Duas Rodas e Uma Nação’, no início deste ano, cedido pelos museus Moto Classic Museum, de Sumaré, Remaza Collection, da oficina TecMoto, San Diego, Relíquias, todos de São Paulo, entre outros.