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Clássicas - o tempo voa

Por: Ricardo Couto

O tempo voa - As motos de corrida também se tornam clássicas e admiradas. E voltam às pistas para relembrar os momentos de apogeu, mas com a mesma disposição e velocidade dos bons tempos!


Disputadas de forma quase informal na Europa, Estados Unidos e Austrália, além de outros países, as corridas de motos clássicas reúnem multidões de aficionados em todo o mundo, atraídos pelos empolgantes “rachas” entre máquinas vintage e pilotos que já ultrapassaram seu apogeu e fama nas pistas. Promovidas por motoclubes como provas preliminares das principais categorias do motociclismo ou mesmo como campeonatos próprios, estas competições ocorrem em um clima muito mais descontraído e divertido do que nas corridas de motos modernas. Nelas, prevalecem a interação e a confraternização entre os participantes, recriando aquela atmosfera comum nas provas que rolavam nas décadas de 60, 70 e 80.

Pelo menos três grandes torneios se destacam nesta categoriaem nível internacional, entre os muitos existentes. Um dos mais emblemáticos, por sua tradição, é o concorrido TT Classic, realizado desde 1988 como uma espécie de prévia do lendário Tourist Trophy disputado nas estradas da Ilha de Man, na Irlanda do Norte. A prova reúne impecáveis motos de competição de época de todas as partes do planeta.

Considerado uma espécie de encontro mundial das máquinas antigas e aberto a corredores dos mais diversos países, o TT Classic é disputado em maio no circuito aberto de Billown, em Castletown, na mesma região irlandesa, como abertura da arriscada e famosa prova de velocidade Tourist Trophy, que reúne pilotos arrojados e motos atuais em um percurso de estrada –e que acontece em agosto de cada ano.

Realizada num trajeto de cerca de sete quilômetros de asfalto, a prova vintage irlandesa teve início no final dos anos 80, quando a organização do TT permitiu a inclusão de motos clássicas de corrida no torneio. A partir de 2013, a disputa passou a integrar a programação oficial do Festival de Motociclismo da Ilha de Man.

Uma vez por ano, centenas de pilotos se alinham na linha de largada com motos de décadas passadas para uma prova de quatro voltas na pista, em categorias separadas: 350 cc, 500 cc, Fórmula 1 e Fórmula 2. Ao final do evento, os modelos são exibidos ao público em uma praça local, numa espécie de Concurso de Elegância motociclística.

Ainda na Europa, outro campeonato relevante é o Vintage Road Racing European Championship, que segue formato semelhante ao MotoGP e suas ultravelozes motos especiais. Promovido pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM), a competição reúne anualmente os mais renomados pilotos do continente em provas de velocidade, regularidade e endurance (resistência), disputadas em circuitos mundialmente famosos, como Anderstorp (Suécia), Donnington Park (Inglaterra), Le Mans (França), Paul Ricard (França) e San Marino (uma república dentro da Itália), entre outros.

ICGP

Além do torneio da FIM há o International Classic Grand Prix (ICGP), destinado a exemplares originais de corrida das categorias 250 cc e 350 cc, fabricados entre janeiro de

1974 e dezembro de 1984. A primeira prova dessa categoria ocorreu em 1999 no circuito de Paul Ricard, na França, mas o campeonato em si teve início só em 2003.

Cada temporada tem entre cinco e oito etapas, cada uma com rodada dupla. A prova de abertura de 2016 aconteceu em abril no circuito de Paul Ricard, na França, a qual se seguiram as etapas de Assen (Holanda), Spa-Francorchamps (Bélgica), Rijeka (Croácia) e Mugello (Itália). A última fase ocorreu no Brasil, em outubro, no autódromo de Goiânia. Esta é primeira vez que a competição foi disputada em um circuito fora da Europa. O francês Jean-Paul Lecointe (na 350 cc) e o belga Yves Hecq (250 cc) foram os vencedores da prova. O brasileiro Leandro Mello (segundo nas provas da 350 cc) foi destaque. Os conterrâneos Othon “Voador” Russo, Bob Keller e Roberto Boettcher, ex-campeão sul-americano de motocross também participaram..



Cerca de 40 motos alinham a cada corrida, havendo classificação e pontuação em separado para quatro categorias (350 cc, 250 cc, YC 250 e Master). As Yamaha TZ de época são maioria entre os competidores, rivalizando com Kawasaki KR, Chevallier, Rotax, Bimota, Exactweld, Egli, Harris, Jawa, BSR, Spondon e outras raridades.

O criador do campeonato é o francês Eric Saul, vencedor de dois Grandes Prêmios do Mundial de Motovelocidade nas categorias 250 cc e 350 cc em 1981 e 1982. Entre os pilotos mais conhecidos do ICGP estão o próprio Eric Saul; o francês Guy Bertin, que já foi vice da 125 cc em 1980 e vencedor das 24 Horas de Bol d’Or (1983) e de Le Mans (1985); e o escocês Ian Simpson (três vezes vencedor do Tourist Trophy de Man). Os campeões de 2016 foram Guy Bertin (Kawasaki KR, categoria 350 cc), Colin Sleigh (Yamaha TZ-H, 250 cc), Vinvent Levieux (Yamaha TZ-A, YC250 cc) e Guy Bertin (também campeão na categoria Master).

A ideia, segundo Saul, é transformar o campeonato num

torneio mundial, o World Classic Championship.


AMERICAN HISTORIC RACING

Nos Estados Unidos, se destaca o campeonato promovido pela American Historic Racing Motorcycle Association (AHRMA), considerado um dos mais abrangentes e tradicionais daquele país. O calendário é composto por dezenas de provas, com etapas em várias cidades e Estados, que contam pontos para o torneio nacional. As disputas são divididas em diversas categorias, em geral abrangendo motos entre os anos 30 e 70, considerados a idade do ouro do motociclismo de época.

As classes se dividem em Grand Prix de 200 cc, 250 cc, 350 cc, 500 cc, CB 160, Anos 60 (geral e 650 cc), Fórmulas 125 cc, 250 cc, 500 cc e 750 cc, Fórmula Vintage, Motard, Cross, modelos de produção Leves e Pesados, Dois Tempos, Dois Cilindros e Gran Prix Pré-1940, entre outras.

A proposta da AHRMA com esse torneio é recriar e preservar o clima das corridas de antigamente, com as motos vintage resgatando o visual, sons, cheiros e a empatia entre os pilotos das provas de décadas passadas. Devido à idade avançada de alguns modelos de motos, apenas um pequeno número de exemplares das categorias mais velhas consegue participar da maioria dos eventos. Para compensar as limitações e o desgaste das máquinas, as regras permitem o uso de algumas peças de reposição atuais, a fim de garantir a segurança, baixos custos de manutenção e assegurar um melhor

nível técnico para as competições.



CANNONBALL

Ainda em solo americano há o Cannonball, uma das mais glamurosas provas internacionais, destinada às motos mais antigas do início do século passado (a maioria fabricada entre os anos 30 e 50). Considerada uma espécie de Rally Dakar das motos vintage, esta prova de resistência acontece a cada dois anos (desde 2010), partindo de locais diferentes a cada edição. Nela, os participantes cruzam os Estados Unidos por estrada, indo praticante de um lado a outro do país –costa a costa. São em média 15 dias de raide, cobrindo cerca de 5 mil milhas, envolvendo motos raras e competidores de vários países. Para se ter ideia do nível de dificuldade da prova, em 2010 o percurso foi de Nova York (na Costa Leste) a Los

Angeles (Costa Oeste).

Como nos demais torneios, o importante é colocar a moto na estrada. Sem o estresse e o risco das categorias top atuais, mas em clima de camaradagem e diversão. Afinal de contas, essas motos só estão aí porque foram preservadas!

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