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O protagonismo das motocicletas na mobilidade urbana

Rafael da Silva Lourenço, Chefe de Relações Institucionais e Comunicação Corporativa da Yamaha Motor do Brasil


Rafael da Silva Lourenço, Chefe de Relações Institucionais e Comunicação Corporativa da Yamaha Motor do Brasil

Nos últimos quatro anos, o mercado brasileiro de motocicletas registrou crescimento de 63,5%, passando de 962 mil unidades produzidas, em 2020, para 1,573 milhão, em 2023. O avanço reflete o papel de destaque na logística urbana (serviços de delivery) e a sua consolidação como símbolo de agilidade e flexibilidade nas ruas congestionadas das grandes cidades. Entre os principais fatores que impulsionam essa popularidade estão o baixo custo de aquisição, manutenção e quilômetro rodado.


De acordo com dados do Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Moto-Taxistas do Estado de São Paulo (SindimotoSP), o número de motociclistas que atua no serviço de motofrete, na capital, aumentou em quase 40% no primeiro ano da pandemia da Covid-19 (2020-2021), impulsionado pela recomendação de isolamento social para conter a propagação da doença. Atualmente, na cidade de São Paulo, há 1,3 milhão de motocicletas em circulação.


Com o rápido crescimento do segmento, é natural que surjam preocupações em relação à segurança. Nesse sentido, é preciso fomentar a consciência dos indivíduos sobre o respeito às normas de trânsito, as boas práticas de condução e o uso adequado de equipamentos de proteção.


O setor tem respondido a esses desafios implementando avanços tecnológicos no produto e atividades preventivas e educativas com o apoio do poder público que, por sua vez, vêm desenvolvendo ações próprias de fiscalização e infraestrutura, buscando ações para garantir a proteção dos motociclistas. Um exemplo é a faixa azul, sinalização de segurança para motocicletas, localizada entre as faixas veiculares 1 e 2 na Avenida 23 de Maio (sentido aeroporto) e na Avenida dos Bandeirantes (ambos os sentidos), inaugurada em 2022, em São Paulo. O objetivo é organizar o espaço compartilhado entre automóveis e motocicletas, pacificando e humanizando o trânsito. De acordo com um estudo conduzido pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), utilizar essas faixas pode ser até 20 vezes mais seguro para o motociclista.


Recentemente, a Yamaha participou da inauguração de mais trechos da faixa azul, instalados nos corredores Washington Luís e Santos Dumont, na Rua Santa Eulália, situada na Zona Norte, e no Túnel Ayrton Senna (sentido bairro), na Zona Sul do município. Com a expansão, a capital do estado agora totaliza 98,2 quilômetros de faixas azuis.


Em parceria com prefeituras e autoridades de trânsito, a Yamaha promove campanhas de conscientização no estilo pit stops. Essas ações incluem demonstrações práticas de frenagem e identificação de pontos cegos, áreas que o condutor não consegue ver ao dirigir, geralmente, localizadas nas laterais do veículo e fora do alcance dos espelhos retrovisores. Os eventos são realizados em todo o Brasil e, nos últimos dois anos, impactaram, aproximadamente, 20 mil motociclistas em sete estados do país.


Apesar dos avanços, ainda enfrentamos obstáculos para garantir a mobilidade urbana sustentável. Em meio ao Maio Amarelo, mês dedicado à conscientização para a redução de sinistros no trânsito, é imprescindível compreender que se trata de um desafio de saúde pública que demanda uma abordagem multifacetada. É como uma grande engrenagem: motociclistas, governos, indústrias, órgãos reguladores e a sociedade desempenham papéis interconectados na promoção da proteção viária. Os desafios que envolvem a política de mobilidade devem ser tratados de maneira conectada, formando um tripé pela fiscalização das leis de trânsito, o investimento em infraestrutura e promoção de programas educacionais, aspectos fundamentais para garantir a proteção de todos os usuários das vias.


É essencial continuarmos avançando nesse caminho, buscando constantemente estratégias para tornar as estradas mais seguras. Contudo, também devemos reconhecer os esforços já empreendidos e valorizar os resultados alcançados. Os motociclistas não devem ser estigmatizados como vilões: são cidadãos que dependem de suas motocicletas para seus deslocamentos diários e alternativa de renda. É hora de trabalharmos em prol de uma convivência mais harmoniosa nas ruas e estradas do Brasil.

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