Royal Enfield Classic 650 chega com estilo e surpreende no desempenho e estabilidade
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- há 5 dias
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Com preços entre 34,5 mil e 35,5 mil, modelo retrô tem charme e muito prazer ao pilotar

A Royal Enfield lançou a mais clássica de suas motocicletas, todas já em estilo retrô, a Classic 650. A apresentação, seguida de test-ride de cerca de 180 km, aconteceu na região da Serra dos Órgãos, no interior fluminense, abarcando Petrópolis, Areal e Itaipava. O roteiro foi muito bem bolado e permitiu uma avaliação bastante completa do modelo.

Visualmente, o estilo ‘Classic’ ganhou em qualidade de cromados e de peças de acabamento, com bons detalhes como a regulagem de altura dos manetes e – detalhe inestimável – a pintura artesanal dos pin-stripes (frisos) de tanques e para-lamas, feita por uma família na Índia, que se especializou, através de gerações nesse minucioso trabalho: acredite se quiser, o traçado é feito à mão sem gabarito prévio, apenas com a prática e a habilidade desses artesãos.

A experiência de pilotagem foi extremamente prazerosa, estimulada pela beleza das paisagens e pelas deliciosas curvinhas das estradas de serra da região. Apesar de não montar a suspensão dianteira por bengalas invertidas (upside-down) como as irmãs Super Meteor, Shotgun e Bear, mostrou estabilidade irretocável, além de um compromisso quase perfeito entre desempenho em curvas, absorção de irregularidades e conforto – um compromisso muito difícil de ser obtido. O resultado atesta a franca e rápida evolução da engenharia da marca anglo-indiana.

As suspensões Showa são, de fato, um ponto alto do modelo, mesmo não tendo as decantadas vantagens dos garfos invertidos (nos quais a parte mais pesada e espessa é ligada ao chassi garante menos flexões e torções, e – principalmente – reduz a massa não suspensa, crítica no desempenho de todo conjunto de suspensão, vide a adoção de rodas mais leves nos automóveis sofisticados). Há regulagem de pré-carga da mola na traseira, bichoque convencional.

Também contribuem para a estabilidade surpreendente em curvas os bons pneus MRF indianos com câmaras de ar. São raros os pneus dessa marca a vir para o Brasil montados nas Royal Enfields, que até então adotavam majoritariamente os também indianos Ceat. Nas medidas 100/90 - 19 na frente e 140/70 - 18 atrás, se comportaram à grande, sem sustos e sem desgarres perceptíveis, tanto em curvas no limite quanto em frenagens mais forçadas. Eles são montados em rodas raiadas convencionais com aros de alumínio, também para aliviar massa não suspensa. O aro de 19 polegadas de Ø na dianteira ajuda a superar buracos, lombadas e degraus tão comuns nas pistas.

A Classic 650 é o sexto modelo de 650 cc da marca a ser apresentado ao consumidor brasileiro. O conjunto propulsor (motor e câmbio de 6 marchas) é utilizado em dois numericamente iguais grupos de modelos, um deles utilizando quadro de berço semiduplo (Interceptor, Continental GT e Bear) e outro utilizando o quadro aberto, tipo diamond, que integra o bloco do motor à estrutura do chassi (caso de Super Meteor, Shotgun e Classic).

Motor twin
A Classic 650 adota o motor twin paralelo de 648cc, com ajuste eletrônico que visa privilegiar a aceleração em baixa rotação. Tem 47 cv de potência a 7.250 rpm e atinge o pido de torque de 5,3 kgf.m a 5.650 giros. Mas o mais impressionante é que o torque chega logo nas rotações iniciais e proporciona aos 243 kg da Classic 650, em ordem de marcha, acelerações divertidas, fluentes e até empolgantes. No popular: se você chamar, ela vem, e vem com determinação.
O câmbio é preciso e macio, mas parece um pouco mais curto nas primeira marcha que as demais versões que compartilham a mesma caixa. Há um “gap” de giro entre a 1ª e a 2ª, claramente perceptível. Não chega a ser desagradável, mas torna a primeira marcha aplicável apenas no momento da partida. Não dá pra reduzir para primeira com a moto em movimento, a desaceleração é muito intensa, bem como a subida de rotação.
Há que se dizer que o câmbio tem mudanças rápidas, suaves e precisas.

Acabamento
A Classic 650 tem um acabamento bem cuidado, com destaque para os já citados frisos artesanais e para a qualidade dos cromados, espessos e brilhantes. As unidades apresentadas à imprensa não traziam assento do passageiro e rack, removíveis através de um mecanismo com um único parafuso. Esses equipamentos estão presentes nas motos de série que o consumidor vai encontrar nas concessionárias.

O tanque em forma de gota e a característica nacelle (cockpit) da Royal Enfield que abriga um novo farol de LED, junto com os tradicionais “olhos de tigre”, as pequenas luzes de posição que alguns modelos da Royal Enfield adotam desde 1954.

A postura de pilotagem é muito agradável e não cansa. O assento individual tipo selim é suspenso a 80 cm do solo e acomoda muito bem qualquer porte de piloto. O guidão é amplo, largo e muito elegante, ao estilo chifre de touro. Permite pegada firme e total controle da frente.

O painel é dominado por um velocímetro analógico, de ponteiro, muito fácil de ler e bem bonito. Logo abaixo, um minúsculo LCD tras uma série de informações, tais como consumo, odômetros total e parcial, indicador de nível de combustível, lembrete de serviço, indicador de marcha em uso e relógio.

Cores e Preços
A Royal Enfield Classic 650 vem para o Brasil em três versões: Vallam Red, em branco e cor de vinho, com preço sugerido de R$ 34.490; Teal Green, verde-água, por R$ 34.990 e a top Black Chrome, que tem pintura preta e elementos cromados, por R$ 35.490. O frete é incluso para todas as versões e regiões brasileiras.





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