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Dafra NH 190

Por: André Ramos

Visual arrojado - Com motor refrigerado a água, câmbio de seis marchas, iluminação a LED, tomada USB, pneus grandes e linhas retilíneas avançadas, a Dafra Sym NH 190 avança no front das pequenas japonesas.

A Suzuki acionou a chave dos primeiros Burgman 125 para despertar o mercado de scooters no Brasil, e a Dafra acelerou ao lançar o Sym Citycom 300i. A partir de então, os scooters formam o segmento de duas rodas que mais cresce no país. A parceria da Dafra com a taiwanesa Sym é sucesso. Gerou, além do Citycom, as Next 250 e 300, e os scooters Cityclass 200 e Maxsym 400i.



A NH 190 resulta dessa parceria. A pequena trail foi apresentada no final do ano passado. A moto apresenta linhas arrojadas na carenagem, farol e lanterna traseira –ambos em LED– e em seu painel digital em LCD, que traz além do velocímetro, conta-giros, indicador de marcha engrenada, relógio, odômetros parcial e total. Deixa de fora o termômetro para o líquido de arrefecimento do motor, embora incopore luz de alerta de alta temperatura.

A NH 190 é equipada com um monocilindro arrefecido a líquido com 4 válvulas no cabeçote, alimentado por injeção eletrônica. Segundo a Dafra, o motor desenvolve 18 cv a 8.500 rpm, com torque máximo de 1,6 kgf.m a 7.500 rpm. O câmbio é de seis marchas.

O motor tem baixo índice de vibração e ruído e o câmbio permite trocas precisas e embreagem macia.

A relação de marchas, entretanto, mascara um pouco o punch que os 18 cv poderiam entregar. A Dafra NH 190 vai bem na estrada e é econômica em velocidade de cruzeiro, mas uma relação mais curta poderia trazer acelerações mais agressivas –e divertidas.

O quadro é fabricado em tubos de aço em um formato que parece misturar o conceito diamond (em que o motor integra a estrutura) com uma treliça. Além de oferecer protetor para o motor em sua porção inferior, possibilita ao radiador ficar bem alojado logo atrás da caixa de direção, em uma posição elevada que o protege de eventuais batidas.

Em se tratando de uma motocicleta com vocação para rodar também na terra, a NH 190 poderia oferecer uma suspensão dianteira mais generosa: o garfo convencional hidráulico apresenta 135 mm de curso, apenas 10 mm (1 cm) a mais que a sua irmã urbana naked Next 300. É macio e privilegia o conforto. Na traseira, o monoamortecedor oferece curso de 145 mm e uma calibragem um pouco mais rígida, com a possibilidade de acerto manual na pré-carga da mola.



Rodando em uma combinação de cidade e estrada para esta avaliação, as suspensões apresentaram bom comportamento no duelo com as irregularidades do asfalto urbano e firmeza em velocidades mais elevadas –seu top speed foi de 138 km/h, na reta, com piloto ereto.

As rodas obedecem a receita “intermediária” para o segmento: aros raiados de ferro, com o dianteiro de 19” e o traseiro, 17”. Os pneus com câmaras parecem “vitaminados” demais para a motinho: são os ótimos Pirelli MT 60, sendo o dianteiro na medida 100/90-19 e atrás um bojudo 130/80-17. Deixam a moto com um visual mais encorpado, mas passam a impressão de que pneus um pouco menores cumpririam com a missão, agregando menos peso e resistência à rolagem à motoquinha.

Com freios a disco nas duas rodas, a Dafra NH 190 incorpora o sistema combinado de frenagem batizado pela marca de “FH-CBS”. A sigla FH significa Full Hydraulic, indicando que os dois freios trabalham com cilindros-mestres e fluido para empurrar as pastilhas.


VISUAL ARROJADO


O visual tem pontos favoráveis, mas também causa alguma polêmica. Na frente, a NH 190 é bem resolvida, com pequenos faróis trapezoidais superpostos, em linhas retas e angulosas. A lanterna traseira é bonita, assim como o design da rabeta, tudo passando um ar de modernidade. Mas o tubo de escape não é unanimidade. Passando por baixo da moto, além de causar certo desconforto estético, ainda reduz a altura livre em relação ao solo. A ponteira também não é das mais refinadas e seu ângulo de inclinação está defasado em relação ao ângulo de inclinação da rabeta, deixando a coisa toda meio fora de esquadro.

O acabamento industrial de certos componentes também carece de atenção, a exemplo de soldas de quadro, pinças de freio, suporte da pedaleira do garupa… Parecem pesados e de fato talvez sejam. O peso declarado da NH 190 é de 141 kg. A Honda XRE 190, com ABS de um canal (roda dianteira), tem peso declarado de 127 kg.

A posição de pilotagem também é curiosa. Alguma coisa no triângulo de pilotagem formado por pedaleiras, assento e guidão está esquisita. A mesa é comprida e avança na direção do piloto, deixando o guidão alto e próximo ao corpo, o que faz com que os braços fiquem levantados. O assento do piloto, baixo, “empurra” o quadril para a frente.

A Dafra NH 190 chega ao mercado com preço competitivo para brigar com a XRE 190: segundo o site da marca, custa R$ 12.890,00, contra R$ 14.490,00 da Honda. São R$ 1.600 de diferença que poderão mexer com a cabeça do consumidor, já que com este valor é possível pagar a documentação da motocicleta e quem sabe, sobrar um troco.

Além disso, a moto entrega entre 1,6 cv e 1,7 cv a mais em relação à concorrente, embora seja mais pesada. Se a Sym mantiver a confiabilidade que tem apresentado nos Citycom, e a Dafra cumprir com o pós-venda adequado, o modelo tem preço e virtudes para fazer sucesso.

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