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R 1250 RT

Quase perfeita - Imagine um produto que vem evoluindo continuamente por quase 100 anos… É ocaso deste motor boxer alemão… A BMW R-RT é um ícone das estradas e chega ao Brasil importada da Alemanha em duas versões


POR EDUARDO VIOTTI

A série RT da marca bávara BMW (Bayerische Motoren Werke) conheceu as estradas em 1978 como uma versão touring da motocicleta alemã mais famosa. Tornou-se um ícone das estradas europeias e exala tradição. Não a tradição preservada em design saudosista e visual retrô, nada disso. A tradição aqui é de desempenho, tecnologia e prazer de pilotar em sua melhor forma.

A marca originalmente de Munique (que produz as motocicletas em Berlim) desenvolveu motores motociclísticos de um, dois, quatro e seis cilindros em linha, alguns em cooperação com parceiros como a chinesa Loncin, a indiana TVS e a austríaca Rotax, mas nunca abriu mão de seu lendário boxer. Afinal foi o propulsor original de dois cilindros contrapostos que elevou a marca ao patamar que conquista hoje, seduzindo o mundo todo a partir de 1923.

A BMW R 1250 RT (Reise/Tourer, ou viagem e turismo) chega ao Brasil na versão 2020, no mesmo mês em que a empresa apresentou a versão 2021 com leves mudanças (painel, eletrônica, para-lama e aletas), para a Europa. A base ciclística e mecânica é idêntica e grande parte dela é compartilhada com o modelo aventureiro GS (Gelände/Straße, ou terra e estrada, on-off road), de enorme sucesso no país.


Como de praxe nas motos da marca, o projeto de engenharia e a tecnologia adotada, bem como a construção e o acabamento geral são da mais alta sofisticação.

O preço do modelo básico aqui avaliado –apresentado apenas na cor branca– é de R$ 165,75 mil, cerca de R$ 20 mil a mais que a Honda GL 1800 Gold Wing, e algo em torno de R$ 43 mil a mais que uma Harley-Davidson Road Glide Special. Os preços comparados são das respectivas versões touring sem top-case/encosto traseiro, caso da RT, que o oferece como opcional. A BMW oferece ainda uma versão azul metálica com o pacote de opcionais 719, que inclui banco em couro castanho, tampas de cabeçotes e do motor personalizadas, por R$ 178,75 mil. São produtos de luxo, tradição e bastante exclusivos, com alta tecnologia.

Nós pilotamos a R 1250 RT por apenas um dia, mas rodamos o suficiente para ter uma avaliação precisa, quase 400 km em trechos que mesclaram tráfego urbano, estradas secundárias, auto-estradas, todas as possibilidades. Sem a menor sombra de dúvida, a moto é magnífica. Sempre que você vir alguém em uma RT, pode ter certeza: ali vai alguém que conhece motocicletas –e sabe o que é bom.

Em relação às citadas touring concorrentes, por exemplo, ela é mais compacta e ágil, mais lépida e leve. A primeira impressão é ótima: não intimida como muitas das mais pesadonas, ao contrário, dá vontade de acelerar, os pés ficam firmes no chão, o peso é bem aceitável. A ergonomia é quase perfeita, com um guidão que parece de scooter, de alumínio, e uma posição perfeita de pilotagem. O banco, entretanto é um pouco duro para longas viagens, pelo menos o da versão avaliada. Depois de quase três horas sobre a moto, sem descer, sobreveio um baita cansaço e dor muscular nos glúteos.



Ao dar a partida, o ronco típico dos boxer alemães é fascinante. Para quem é amante de BMW, é música fina. Muito torque, abundante em todas as faixas de rotação, e disposição para subir de giro. O flat twin de 1.250 cc com comando de válvulas variável é excepcional, o mesmo da exitosa GS. O nível de vibrações diminuiu muito e a refrigeração a água dos cabeçotes, além de amenizá-las, reduz ruídos mecânicos e garante maiores (ainda…) robustez e durabilidade. E também é útil para atender às crescentes exigências dos programas –e leis– internacionais antipoluição.



Em termos de desempenho, é uma delícia. Como já referi acima, a entrega de torque é plana e o motor sobe de giros com facilidade. No modo Road (algum trecho em Rain, pois enfrentei um bocado de chuva) e respeitando os limites legais de velocidade (120 km/h nas autopistas, mas com uma e outra acelerada mais vigorosa), ela marcava 5,6 litros por 100 km de média no computador de bordo, o que corresponde a 17,8 km por litro, ótimo consumo para o porte e performance da motocicleta. Com 136 cv máximos e toque de 14,6 “quilos” a 6.250 rpm, esbanja energia –e alegria.


ELETRÔNICA

Há tanta eletrônica embarcada que certamente algo esqueceremos de enumerar. A R 1250 RT tem muita coisa. A começar pelos três modos de pilotagem: Road, Rain e Dynamic. A escolha determina a atuação dos freios ABS com frenagem integral, a entrada do controle de tração, resposta do acelerador, entrega de potência e torque, freio-motor (sim, a atuação da redução mecânica é controlável…) e atuação dos sistemas de suspensão. Se o piloto quiser fazer estrepolias, o controle de tração é comutável.



O ajuste das suspensões é semi-ativo, com dois sensores, comandado eletrônicamente de acordo com o peso sobre a moto e a opção determinada pelo piloto na escolha dos modos de pilotagem. Na frente, o amortecimento se ajusta. Atrás, amortecimento e também a pré-carga da mola.

A RT também tem sistema de saída em ladeira que segura a moto ao detectar a partida em uma subida. Sensacional e muito efetivo, pois, se for preciso tirar o pé do pedal de freio, por qualquer razão, a moto começa a descer…

O câmbio de seis marchas é nada menos que perfeito. Engates macios, suaves e precisos. Tem quick-shift para cima e para baixo. Você usa a embreagem para parar e partir.

O painel é ótimo, com velocímetro e contagiros analógicos e um grande LCD colorido, supercompleto. A moto tem cruise-control e sistema de monitoramento da pressão dos pneus, sistema de som com Bluetooth…

A RT tem muito mais ítens de conforto e segurança, como bancos e manoplas aquecidos, cavalete central, chave remota (keyless), preparação para GPS, tomadas 12V e USB, porta-luvas chaveados na carenagem frontal. Vale destacar que a BMW é uma das marcas pioneiras na preocupação com segurança ativa de pilotagem.



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