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Royal Enfield 650

Atualizado: Mai 20

Por: Alexandre Nogueira


A simplicidade e o equilíbrio fazem das Royal Enfield 650 uma graça de pilotar, resgatando, aqui sim, o motopurismo!

A Royal Enfield é uma das mais antigas indústrias britânicas. Começou na década de 1890 fabricando bicicletas, cortadores de grama e motores estacionários. A partir de 1901 começou a produzir motocicletas em Redditch, Inglaterra. Em 1949 a empresa iniciou suas operações na Índia, dando início à produção de motocicletas por lá em 1957.

A primeira Royal Enfield Interceptor do início dos anos 60 tinha um motor bicilíndrico paralelo de 692 cc. Em 1962 cresceu para 736 cc e foi produzida em mais duas versões até 1970, quando os ingleses saíram do negócio. Em 1994, foi absorvida gigante indiano do setor automotivo, o Grupo Eicher, que injetou uma boa dose de dólares.

A Royal Enfield, em sua fase atual, apresentou em 2018 dois projetos com um novo motor inline twin de 650 cc: as irmãs gêmeas Interceptor 650 e Continental GT 650. É inteligente este lançamento, com aparência clássica e tecnologia contemporânea, surfando a onda das motos de estilo retrô. Representa um passo importante para a marca, que pretende ampliar sua atuação nos mercados americano, europeu e asiático e tornar-se um player importante no cenário mundial, já que é líder na Índia em seus segmentos.

As novas 650 da Royal Enfield têm um equilíbrio perfeito de acessibilidade, desempenho, estilo e diversão para fortalecer o interesse de uma nova geração de motociclistas. Elas têm comportamento surpreendentemente divertido tanto para iniciantes como para pilotos experientes.

A Interceptor 650 e a Continental GT 650 são construídas em uma linha de montagem dedicada, com processo de controle de qualidade para garantir que as motos estejam prontas para competir em nível mundial, mostrando a confiança da empresa na qualidade de construção.

O chassi de berço duplo em aço é idêntico nos dois modelos e um fato interessante é que a renomada empresa especialista em construção de chassi do Reino Unido, Harris Performance, comprada pela Royal Enfield em 2015, colaborou no desenvolvimento das gêmeas.



Nas suspensões, um garfo convencional não ajustável de 41 mm na dianteira e dois amortecedores equipados com reservatório externo de gás, com regulagem na pré-carga da mola na traseira, lidam perfeitamente com as tarefas de suspensão. O setup original de fábrica mostrou-se bastante satisfatório, atendendo na estrada de bom asfalto, na estrada esburacada e na chuva. Escolha acertada para o equilíbrio entre desempenho e conforto são as rodas raiadas de 18 polegadas na dianteira e na traseira, calçadas com pneus Pirelli Phantom Sportscomp 100/90 dianteiro e 130/70 traseiro.

O sistema de freios é composto por um só disco dianteiro de 320 mm, mordido por uma pinça ByBre (abreviação de “By Brembo” para designar produtos indianos da marca italiana) flutuante de dois pistões. Na traseira, um disco de 240 mm com pinça flutuante de pistão único. Os freios exibiram resposta inicial dócil e progressiva, de maneira a facilitar o uso por mãos menos experientes. E o ABS da Bosch nunca é excessivamente intrusivo, mesmo durante as frenagens simuladas de pânico ou entradas agressivas nas curvas.



A Interceptor 650 difere da Continental GT 650 simplesmente no estilo café-racer. Para o piloto, a mudança fica apenas na área de ergonomia.

A Interceptor ostenta um guidão tubular convencional com uma barra transversal parafusada montado na mesa superior, enquanto a Continental GT utiliza semi-guidões fixos na suspensão. O assento é mais longo e melhor acolchoado, com espaço suficiente para dois, ao contrário da opção de assento único que equipa a Continental GT.

Devido à posição mais ereta do motociclista, cortesia do guidão mais alto, os pés do condutor da Interceptor 650 são movidos para a frente, em aproximadamente 30 mm e abaixados em cerca de 15 mm.



Há muito espaço para se encontrar confortavelmente no assento longo, mas o espaço para as pernas dos mais altos fica sujeito à temperatura do cabeçote, No meu caso, com 1,80 m, cheguei a encostar os joelhos por diversas vezes, mas nada que cause desconforto, pois há uma delicada proteção de barra de ferro bem no local, solução muito bem pensada, que evita o contato direto com o motor.

Acionar o motor gêmeo de 270 graus resulta num estrondo rouco e compassado. A

embreagem leve e fácil de usar, o torque bem aproveitável nas baixas rotações e a perfeita ação da caixa de marchas lembram o quão amigável é o motor e como é prazeroso, divertido e cativante o passeio com a Royal Enfield Interceptor 650.

As especificações do motor mostram 47 cv a 7.100 rpm e torque de 5,3 kgf.m a 4.000 rpm. São números tímidos, que não representam verdadeiramente como é pilotagem dessas motos na vida real. A entrega e distribuição do torque é agradável e ampla, com o motor atendendo bem em qualquer faixa de rpm em que você mudar de marcha.

A resposta do acelerador é suave em qualquer solicitação de pilotagem, o que contribui para o apelo dos novatos. A injeção eletrônica está muito bem acertada para o combustível tupiniquim, o que faz as 650 serem bastante econômicas no consumo de combustível, com médias entre 22 km/l e 25 km/l na cidade e 30 km/l na estrada rodando a até 100 km/h, com base num passeio sossegado.



A Interceptor tem um manuseio deliciosamente neutro, mas bem responsivo, apesar das rodas de 18 polegadas e dos 200 kg de peso. A ergonomia mais ereta da Interceptor 650 permite um pouco mais de alavanca no guidão para manobras mais rápidas, mas mantém a mesma estabilidade inspiradora de confiança em quaisquer pavimentos e acompanha o ritmo de pilotagem agressivo da Continental GT 650, com seu estilo Café Racer.

A Royal Enfield Interceptor 650 tem preço inicial de R$ 24.990, com pintura em dois tons ela custa R$ 25.990. Com o impressionante tanque cromado ela custa R$ 26.990. A Interceptor 650 atrai pela simplicidade, pela combinação de autenticidade retro cool e acessibilidade moderna que pode ser uma das mudanças que a indústria de motocicletas precisa para se reinventar.

Continental GT


Continental GT era o nome de uma versão das monocilíndricas Classic/Bullet com pegada

Café Racer, que chegou a ser vendida no Brasil. Tinha um motor de 535 cc derivado do velhíssimo 500 das irmãs saudosistas, mas aperfeiçoado. De fato era mais macio e permitia alguma esportividade.

A homônima de 650 cc é uma delícia. Viajamos com ela de São José dos Campos, SP, a Paraty, RJ, em grande parte sob chuva. A posição, apesar dos semiguidões e da pedaleira mais recuada é deliciosa – e a dirigibilidade, como a da Interceptor avaliada aqui, é deliciosa, primor de equilíbrio.







O visual é mesmo charmoso, encantador. Escolhi uma de tanque cromado, sem medo de ser feliz. Coisa linda! (EV)

Na estrada, de CaféRacer. Se há alguma atual moto quemerece este epíteto (ao lado das Triumph, claro, que custam quase o dobro) é esta. Charme, equilíbrio e estilo: a Continental GT é para casar… Custa entre R$ 26 mil e R$ 28 mil (com tanque cromado), frete incluso.

Verifique os vídeos abaixo!





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