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Royal Pioneer

Por: Ricardo Couto

Royal Pioneer - A Royal Pioneer era projetada para ser a melhor moto de seu tempo, direcionada a um público que queria o melhor –e podia pagar por isso

Com pouco mais de 500 unidades produzidas no curto período de um ano (entre 1909 e 1910), a Royal Pionner revolucionou conceitos no início do século passado e antecipou parte da tecnologia que seria utilizada pela indústria de duas rodas. Equipada com motor (de fabricação própria) inspirado nos famosos De Dion Bouton, montado sobre um quadro engenhoso, a motocicleta trazia vários avanços para a época.



Concebida pela Royal Motor Works para um público sofisticado e exigente, a Royal Pionner foi apresentada em 1909 com proposta bastante avançada. Na época, a fábrica chegou a divulgar as características do projeto, construído para ser a melhor motocicleta de todos os tempos: “Uma máquina de cilindro único capaz de fazer 50 a 60 km/h, com baixo centro de gravidade, perfeitamente equilibrada, com mecânica acessível, livre de baterias e bobinas, confortável e silenciosa, construída sem levar em conta o seu custo”. Além de tudo, a moto era leve, pesava apenas 75 quilos e tinha uma aparência clean e bem posta.

A despeito da exaltação publicitária do fabricante, a Pionner trazia de fato vários avanços tecnológicos. O motor tinha apenas um cilindro e rendia de 4 a 5 cv de potência, extraídos de 500 cc de cilindrada. Ele era montado sobre um berço metálico e fazia parte da estrutura do quadro, que também abrigava o longilíneo tanque de combustível. Possuía câmara de combustão hemisférica, com válvulas nas laterais, acionadas por tirantes ligados ao comando central, e vela de ignição instalada na parte superior, inéditos para aquela época. O virabrequim era apoiado em rolamentos, recurso utilizado até hoje em motores de alto desempenho.



A motocicleta não trazia caixa de mudanças. A aceleração variava conforme a rotação do motor e uma enorme coroa movida por correia (como vemos em algumas renomadas motos atuais), integrada à roda traseira. Para rodar, o condutor acionava uma espécie de embreagem que deixava o motor girar livremente, e a soltava para dar tração à roda.

Foram fabricadas apenas 500 unidades na primeira década do século passado e restam, em bom estado de conservação, apenas quatro motos desse modelo em todo o mundo

Os comandos ficavam no enorme guidão, que lembra um chifre de touro. Ele reunia quatro manoplas, duas de cada lado: uma controlava o avanço da ignição por magneto; outra acionava o levantador da válvula de escape, abrindo-a para dar partida e para desligar o motor; além da manopla do acelerador e do controle de ar do carburador. Além disso, a moto tinha na lateral esquerda do tanque um injetor de gasolina que mais parecia uma seringa de vidro, usado para facilitar a partida a pedal.

Outra solução criativa estava no sistema de escapamento. Ele utilizava como coletor o próprio tubo do quadro, que, além de direcionar os gases por seu duto interno até o silencioso traseiro, servia como câmara de expansão e apoiava a sustentação do motor.

A suspensão também era inovadora e trazia garfos duplos articulados (em paralelogramo deformável), auxiliados por um curioso e único amortecedor hidráulico na dianteira, antecipando um conceito conhecido anos mais tarde como frente Springer. A traseira era fixa, do tipo rabo duro.

Fundada em 1901 por Emil Hafelfinger e Charles Persons em Nova York, nos Estados

Unidos, a Royal Motor Works iniciou suas atividades produzindo acessórios para veículos de duas rodas, como sidecars, assentos, cavaletes e outros equipamentos. Em 1907, a unidade foi transferida para Worcester, Massachusetts, quando começou a desenvolver o projeto de uma motocicleta. Em março de 1910, após cerca de um ano de produção, a planta foi devastada por um incêndio. A empresa nunca mais teve a sua produção restabelecida, selando o fim desta maravilhosa moto.

Segundo peritos e especialistas, atualmente existem apenas quatro exemplares preservados em todo o mundo, o que tornou essa máquina rara um cobiçado objeto de coleção, fazendo-a alcançar cotação astronômica entre os apreciadores de antiguidades.

Num leilão realizado pela empresa norte-americana Bonhams em maio de 2010, em Carmel, nos Estados Unidos, uma Royal Pionner 30.5 modelo 1910 foi arrematada por 92 mil dólares, o equivalente a cerca de 210 mil reais.

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