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Softail Deluxe 107

A velha escola - A H-D Deluxe é, pelo menos do ponto de vista estético, a mais old school das motocicletas da marca. Acabamento caprichado e detalhes impecáveis compõem o estilo.



Deluxe foi um nome muito usado na indústria automotiva nos anos 1940 aos 60. Ford e Chevrolet usavam o epíteto para caracterizar seus automóveis de acabamento mais caprichado, de luxo…

A Harley-Davidson o aplica há bastante tempo também. A família Softail, à qual pertence a Deluxe foi lançada em 1984 e sofreu uma completa reformulação em 2018, quando recebeu novo chassi e os motores Milwaukee Eight, os mais redondos, macios e potentes V-Twins já desenvolvidos pela marca norte-americana.

O mais legal da Deluxe é mesmo o visual, mais ortodoxo que caixa de Maizena, diria Luís Fernando Veríssimo. É mesmo luxuriante, para dizer o mínimo. Todos os cromados que a marca abandonou na sua linha 2020 (repleta de acabamento em preto) foram concentrados na Deluxe.

É demais: linda, autêntica, sem medo de ser feliz e exuberante, como uma linda mulher que se arruma para sair. Os adereços estão todos lá: as coberturas cromadas do garfo dianteiro, a barra que sustenta os dois enormes faróis auxiliares, ornada com piscas alongados, de LED…

Os vastos para-lamas são ornados com frisos esculpidos, tanto atrás, quanto na frente. Os cromados se estendem do guidão, “chifre de touro” (aliás, de empunhadura perfeitamente ergonômica e que passa uma sensação muito legal), ao suporte do para-lama traseiro, passando pelo imenso protetor “mata-cachorro” –que também serve de apoio extra para as pernas em longas viagens.



A iluminação é inteiramente em LEDs, moderna, em que pese o visual da lanterna traseira “capelinha” (Capelinha era a marca dos taxímetros tradicionais dos anos 60 e 70, de mesmo formato). A placa segue o estranho posicionamento sobre a luz de posição. Muito em evidência para o gosto dos locais que não são da polícia rodoviária…

Poderíamos gastar todo o espaço desta avaliação descrevendo os detalhes visuais da Deluxe: os pneus faixa-branca (um luxo!), a calotinha da roda dianteira, as rodas raiadas com aros de 16 polegadas cromados e o painel, um “relógio” de ponteiro com o velocímetro em destaque, incrustrado em um bloco de aço cromado sobre o tanque (só isso deve custar o preço da minha moto…). Incorpora um pequeno LCD de fundo escuro, que tem informações úteis, como tacômetro, odômetros, relógio, marcha em uso etc.

Mas é preciso falar de desempenho e de suas muitas virtudes dinâmicas. Pra começar ela desfila com garbo pela cidade, com menor ângulo de esterço em espaços exíguos e a agilidade e maneabilidade do chassi Softail, monoamortecido. Ao mesmo tempo, tem inegáveis qualidades estradeiras, a começar pelos faróis auxiliares, que ampliam consideravelmente a segurança em viagens noturnas.

As plataformas para apoio dos pés em lugar de pedaleiras convencionais também são para a longa estrada. Nelas é possível variar a posição das pernas e reduzir tensão e cansaço. Se você gosta de brincar em curvas, vai aprender a conviver com o ruído delas raspando no asfalto…

Os para-lamas grandes e envolventes são igualmente valiosos para uma travessia de chuva em viagem.



As suspensões continuam sem regulagem na frente, embora sejam reguláveis na pré-carga de mola atrás. Os percursos de ambas são adequados a pisos de boa conservação, coisa rara de encontrar aqui na latitude brasileira. Mesmo assim, ajudadas pelo banco monoposto macio e muito bem desenhado, proporcionam conforto e uma estabilidade in suspeitada. O banco extra para garupa pode ser instalado como opcional. O uso de pneus de perfil alto também eleva a maciez ao rodar.

A Harley-Davidson Deluxe 107 esbanja aceleração e retomadas. O torque em médias rotações gera um empuxo considerável. Em faróis e saídas de pedágio não tem pra ninguém. Em um mundo coalhado de radares, é a diversão que nos resta, fora das pistas. Para ser sincero com o consumidor, a diferença entre o motor 107 e o 114, ligeiramente mais potente (de acordo com a Wikipedia, o 107 tem 77 cv na roda e o 114 despeja 81 cv no dinamômetro de rolo) é mínima, praticamente imperceptível. Como tantas coisas no imaginário motociclístico, as 7 polegadas cúbicas a mais têm um peso muito mais perceptível na subjetividade dos desejos humanos… Kkkkk!

Na casquinha, andando com muita atenção dentro dos limites legais, dá para percorrer entre 18 km/l e 19 km/litro.Mas “torcendo o cabo” a coisa pega e o tanque esgota mais depressa, com autonomia na casa de 14 km/l.

O preço, a partir de 84,2 mil reais, é de artigo de luxo, categoria em que, sem nenhuma sombra de dúvida, a Deluxe preenche todos os requisitos…



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