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X-ADV 750

Atualizado: Mai 21


Por: André Ramos

Caminho suave - A X-ADV 2019 traz mais eletrônica embarcada. Com câmbio DCT, que é simplesmente um espetáculo de refinamento tecnológico, o superscooter é o máximo em conforto e encara longas viagens com total disposição


Passados dois anos do primeiro contato que tive com o X-ADV, continuo achando seu design admirável. Não sou o único: é impossível rodar com ele e não gostar de conversar, responder perguntas e atrair olhares admirados. Custa R$ 55.998,00, mais frete.

Logo de cara, vê-se que o X-ADV é bem largo! Quando sentamos nele, as pernas precisam se abrir mais que o normal para que os pés possam repousar sobre as plataformas. Mesmo tendo 1,78 m, meus joelhos ficaram bem flexionadas quando mantive os pés sob o tronco. A posição de pilotagem mais relaxada neste scooter é quando você apoia os pés na parte frontal e inclinada do escudo e desloca o quadril totalmente para trás, até que seu cóccix alcance o apoio lombar: é aí que você vai encontrar o conforto necessário que os deslocamentos realmente longos vão exigir.



O painel, com design e posicionamento herdado das motos de rali, é lindo e com excelente leitura, trazendo todas as informações fundamentais que você precisa para pilotar, mas acredito que um punho com seletor de funções seria muito bem-vindo.

Iluminação full-LED e chave inteligente (Smart Key), que elimina a necessidade de introdução no miolo para o funcionamento da moto, são mimos tecnológicos que se afinam à proposta e agregam valor ao conjunto.

O para-brisas tem 5 regulagens que dispensam chaves e possibilitam encontrar a melhor posição para proteção aerodinâmica, algo bastante relevante em razão do clima e do seu estado de espírito. O freio de mão é muito bem-vindo, já que sempre faz falta em scooters, pois sem a possibilidade de engatar uma marcha, e com ambos os freios nas mãos, fica complicado parar em algum plano inclinado para a simples retirada do capacete, por exemplo.

O motor, igual ao da NC 750X, é famoso por sua robustez, economia e honestidade na hora de entregar torque, mas também, pelo fato de ser “curto”: quando o conta-giros chega perto dos 6.500 rpm ele já está cortando, por conta da ECU. Com o uso da transmissão DCT, em qualquer dos modos automatizados, isso jamais acontece e o bicilíndrico de 750 cc mostra a sua melhor feição de desempenho, com torque sempre abundante. Ficou perfeito no scooter.

Sua ciclística é fantástica: o X-ADV faz muita curva e é numa estrada mais sinuosa que parece entrar em ação o “modo esportivo”, já que ele deita e troca de posições rápido o suficiente para te colocar um sorriso no rosto. Claro que é preciso guardar um certo limite, já que estamos em cima de um scooter com pneus de uso misto, cuja concepção não é voltada a quem busca raspar o joelho no chão. Mas a estabilidade e o rodar são excepcionais no scooter. O entre-eixos é enorme: 1,59 m contra 1,53 da irmã NC 750X.



CÂMBIO DCT

Para a versão 2019, a Honda incorporou ao X-ADV o controle de tração HSTC (Honda Selectable Traction Control) com dois níveis de intervenção, além da possibilidade de desligá-lo –e o ponto G, ops, a “Tecla G”, que visa melhorar a tração da roda traseira no uso em piso resvaladiço.

O câmbio é eletrônico e extremamente sofisticado. O DCT, Dual Clutch Transmission, se vale de um sistema com duas embreagens e dois eixos de engrenagens principais, um para as marchas pares e outro para as marchas ímpares. O engate é eletrônico –sempre muito rápido– e pode ser automatizado (basta engatar no punho e acelerar) ou cambiando as marchas através de botões no manicoto esquerdo, ideal quando se quer maior esportividade ou na terra. Dá para chegar forte em uma curva, por exemplo, e reduzir vigorosamente, em uma pilotagem mais radical.



O câmbio DCT é fantástico. Tem dois modos: Drive e Sport. Você sente as trocas das 6 marchas no sistema automatizado. Ele reduz prontamente nas desacelerações e se vale da transmissão final típica de motocicletas: pinhão, corrente e coroa. Na maioria dos scooters, a transmissão é CVT, por polias de diâmetro continuamente variável.

Os freios ABS funcionam de maneira primorosa quando acionados em conjunto, mas quando pressionado isoladamente, o traseiro parece ter pulso longo. Durante a avaliação, o sistema liberava a mordida das pastilhas quando a roda ainda parecia estar distante do momento de travamento, em frenagens no asfalto.

As suspensões são bem calibradas. Trabalham com louvor no asfalto e absorvem pancadas mais secas na terra, enquanto as rodas raiadas são especiais, com aros de alumínio que permitem o uso de pneus sem câmara, o que é muito bem-vindo, já que este tipo de pneu costuma esvaziar mais lentamente em caso de furos.



Apesar do visual aventureiro, o X-ADV não é um veículo francamente off road. Pilotar por longos trechos em pé pode ser cansativo, pois a postura não é natural. O tronco fica projetado para a frente, fazendo com que os punhos fiquem muito flexionados. É também preciso fazer muita força neles, já que não há tanque para apoiar as pernas em busca de mais firmeza. Com 165 mm de altura em relação ao solo, ele sofreria num terreno bem pedregoso, por exemplo. Finalmente, as rodas aros 17” na frente e 15” atrás são pequenas para absorver deformações mais fortes do solo.

Para quem prefere ou se acostumou a pilotar scooters,o X-ADV 750, com seus 54,8 cv e quase 7 “kg” de torque,é uma evolução única no mercado. Tem proposta estradeira –vai muito bem em longas viagens, com conforto e economia–, permite atravessar trechos sem pavimento, tem tecnologia de ponta e mecânica sofisticada.



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